Educação: princípio básico de Martinho Lutero

Após a Reforma Luterana, a educação sempre foi um dos princípios que nortearam a religião protestante e os estudos de Martinho Lutero. Assim que Lutero traduziu a bíblia para o alemão, surgiu a necessidade do livre acesso a alfabetização e a posterior criação de escolas. Nesse contexto, a educação passou a ser estudada com mais profundidade, para que o homem tivesse independência e formação para interpretar o evangelho, formar conceitos e viver em sociedade.

De acordo com o diretor do Colégio Gaspar Silveira Martins e doutorando em Teologia, Tiago Becker, existem três pontos principais do pensamento de Martinho Lutero que orientam as ações nos dias de hoje: o compromisso com a vida humana, a criação e a formação de pessoas. Esse último, não menos importante, foi o que levou a reflexão de que a educação é a base para a vida.

Lutero escreveu basicamente dois textos sobre a temática da educação. Em um primeiro momento, ele exige das autoridades municipais que criem e mantenham escolas, e o segundo foi direcionado aos pais, para que enviassem os seus filhos a essas escolas. A partir dessa proposta, este conceito se disseminou pela Alemanha e demais países, até chegar ao Brasil em 1924, através dos imigrantes alemães luteranos.

A partir daí, surgiu uma grande relação da educação e a igreja, sendo que as aulas eram ministradas, no início da colonização, no mesmo local das celebrações religiosas, e foram interligadas entre si. 'Durante a semana os alunos iam até o local para estudar, e aos domingos iam assistir aos cultos, tudo acontecia no mesmo lugar, por isso a igreja e a escola andavam juntas', afirma.

Para dar continuidade a estas tradições e atender a demanda da população venâncio-airense, surgiu a necessidade de uma escola sinodal. 'O Colégio Gaspar surge por uma ideia de pessoas luteranas que perceberam a necessidade de uma educação na cidade', afirma o diretor.

O princípio de criar e manter escolas se espelham em Lutero, porém não há uma metodologia de ensino cristão. Segundo o diretor, a escola parte da ideia de que todo o cidadão tem o direito e o dever de ser educado de forma pública, atingindo a todos. 'A educação é importante para viver civilizadamente em sociedade e garantir a dignidade humana', considera.

Reforma Luterana: 'agora são outros 500'

Já se foram 500 anos de Reforma Luterana, e agora? Inspirados nas ideologias religiosas de Martinho Lutero é preciso projetar um recomeço, ao fazer uma análise do passado com o objetivo de construir o futuro.

De acordo com o doutorando em Teologia, Tiago Becker, a Reforma Luterana foi uma "divisão de águas". As novas ideologias religiosas mudaram a forma como se via o mundo de Deus, ou seja, como a igreja católica fazia a sua política, e como a bíblia era interpretada, dando mais poder às pessoas para que tivessem a liberdade de fazer as suas próprias escolhas. 'Lutero foi pioneiro em traduzir a bíblia para o alemão, possibilitando que todos tivessem acesso à Palavra de Deus sem a necessidade de intermediação de um sacerdote', afirma.

A base para trazer estas mudanças e atitudes protestantes surgiu em 1517, mas é preciso se adaptar à sociedade do futuro para que a igreja luterana possa evoluir. 'Agora são outros 500', afirma o doutorando em Teologia.

Segundo ele, já se passaram 500 anos de história em que as pessoas aprenderam com a tradição, e agora é preciso observar as ações do passado no que diz respeito à saúde, educação e segurança para projetar um futuro promissor. 'Olhar para as pessoas e saber o que elas precisam é o primeiro passo para evoluir nos próximos 500 anos', considera Tiago.

Além disso, é importante abordar a questão da dignidade da pessoa, a preservação ambiental e acima de tudo, o sistema educacional, para que estes aspectos norteiam o caminho, fazendo destas temáticas um projeto para o futuro.

Apesar das diferenças do protestantismo e catolicismo, mudanças positivas e atos de conscientização vêm ocorrendo, aproximando cada vez mais católicos e luteranos. 'Já que todos acreditam em algo, é preciso se unir nos pontos que são comuns entre as religiões para viver em equilíbrio', considera.

Por Taiane Kussler - Folha do Mate